A escalada da agitação no Irã intensifica a pressão sobre o rial e aumenta as perspectivas de uma redefinição da moeda.
Em 11 de janeiro de 2026, os protestos em curso em todo o Irã — agora em sua segunda semana — amplificaram significativamente as pressões sobre o preço do rial iraniano. O que começou como manifestações econômicas no final de dezembro de 2025 devido ao colapso da moeda evoluiu para uma onda de protestos contra o regime em todas as 31 províncias, com greves de comerciantes, envolvimento de universidades e pedidos de mudança de regime.
O rial atingiu repetidamente mínimas históricas no mercado paralelo, sendo negociado a aproximadamente 1,45–1,47 milhão de riais por dólar americano nos últimos dias (com flutuações relatadas de até 1,5 milhão no início de janeiro). Essa forte depreciação — exacerbada pela renovação das sanções da ONU, pela redução das receitas do petróleo devido ao conflito Irã-Iraque de 2025 e pela má gestão interna — elevou a inflação para cerca de 42–52% ao ano, com os preços dos alimentos subindo mais de 70% em relação ao ano anterior.
Bens de consumo diário, como carne, arroz e itens essenciais importados, tornaram-se proibitivamente caros, corroendo os orçamentos familiares e alimentando compras por pânico, acumulação de estoques e uma fuga ainda maior de moeda para dólares ou ouro.
Os próprios protestos criam um ciclo vicioso: greves generalizadas e fechamento de mercados interrompem o comércio, reduzem a confiança no rial e aceleram sua desvalorização, enquanto as respostas do governo — incluindo apagões de internet, uso da força contra manifestantes e subsídios limitados — não conseguiram restaurar a estabilidade. A substituição do governador do banco central e os anúncios de novas medidas de auxílio proporcionaram apenas um alívio temporário, à medida que a agitação se espalha e aprofunda a paralisia econômica.
Olhando para o futuro, a pressão constante aumenta a probabilidade de uma redefinição ou redenominização da moeda. O parlamento iraniano aprovou um plano em outubro de 2025 para remover quatro zeros do rial, com preparativos em andamento para um período de transição de vários anos, no qual as moedas antiga e nova circularão em paralelo. Essa medida, que visa simplificar as transações em meio à hiperdesvalorização, é em grande parte cosmética, sem abordar as causas profundas, como sanções, déficits fiscais e inércia inflacionária.
Economistas alertam que a medida corre o risco de fracassar, assim como iniciativas semelhantes em outros países com alta inflação, a menos que seja acompanhada por reformas estruturais — reformas improváveis em meio à atual turbulência política. Se os protestos persistirem ou se intensificarem, o regime poderá ser forçado a acelerar ou expandir tais medidas para retomar o controle, embora especialistas duvidem que isso impeça a espiral descendente do rial sem grandes mudanças geopolíticas.