Teoria dos jogos: Esta estratégia engana 99% das pessoas (vídeo)

 


Teoria dos jogos: Esta estratégia engana 99% das pessoas (vídeo)



Cada passo, cada pensamento, cada interação molda nossa realidade. Sejam nossas decisões sábias ou insensatas, elas têm impacto em nossas vidas e em nossos relacionamentos com os outros.

É como xadrez: determinamos a jogada e decidimos o que acontece em seguida. O cientista político americano Robert Axelrod, defensor da escolha racional, desenvolveu a teoria dos jogos. Para quem a compreende, ela muda tudo: desde relacionamentos amorosos até o sucesso profissional. Por Frank Schwede

A questão crucial desde o início é: quem obtém o melhor resultado para si próprio – um jogador egoísta ou um cooperativo? O cientista político americano Robert Axelrod queria saber precisamente isso e dedicou muito tempo ao estudo dessa questão para desenvolver a teoria dos jogos, que ele explica detalhadamente em sua obra "A Evolução da Cooperação".


A teoria dos jogos descreve situações de tomada de decisão estratégica em que o sucesso do indivíduo depende não apenas de suas próprias ações, mas também do comportamento racional dos envolvidos.

Segundo a teoria de Axelrod, o sucesso a longo prazo não é garantido pela estratégia mais sofisticada, mais agressiva ou mesmo mais branda, mas sim por aquela que é fundamentalmente benevolente, porém sempre preparada para retaliar.

Axelrod investigou empiricamente a estratégia usando o chamado dilema do prisioneiro, que muitos podem conhecer da psicologia social. O dilema do prisioneiro é um jogo com dois jogadores, cada um com duas opções: cooperar ou não cooperar.

O jogo se desenrola da seguinte forma: dois suspeitos são interrogados separadamente. Embora o ideal para ambos fosse permanecer em silêncio, o interesse próprio os tenta a trair um ao outro. Isso acaba resultando em um desfecho desfavorável para ambos.


Cada jogador deve fazer uma escolha sem saber como o outro irá se comportar. O dilema é que, independentemente do comportamento do outro, é mais vantajoso para cada jogador não cooperar, e a não cooperação mútua é menos vantajosa para cada jogador do que a cooperação mútua.

O que importa não é apenas o que fazemos, mas como os outros reagem às nossas decisões e comportamentos. Alguns acreditam que podem trair, explorar, ignorar ou desrespeitar outra pessoa porque presumem que não haverá consequências para eles.

Outra pessoa pode ser leal, generosa, honesta e prestativa porque acredita que esse comportamento trará benefícios. O importante a lembrar em todas as decisões que tomamos diariamente é que nossas ações sempre têm consequências.


Aprenda a compreender ação e reação.

E aqui chegamos ao ponto crucial, que pode surpreender muitos. Mesmo que alguém não queira confusão, simplesmente mantenha a calma e evite o confronto com a outra pessoa, isso provocará uma reação correspondente por parte dela.

Isso significa que não tomar uma decisão é, em última análise, uma decisão em si. O mesmo se aplica ao silêncio, à tolerância e à ignorância. De qualquer forma que olhemos para isso, nosso comportamento determina como os outros nos tratam.


Quando entendemos que cada interação tem consequências para nós, paramos de agir de forma arbitrária e imprudente. Passamos a considerar conscientemente cada passo e a agir de acordo.

Embora 99% da população tome decisões puramente com base na emoção, apenas cerca de 1% compreende os efeitos positivos a longo prazo da cooperação e da confiança.

Aqueles que pertencem ao grupo de 1% não vencem por serem mais agressivos, mas sim porque possuem uma visão do jogo que os outros 99% desconhecem.

Um erro estratégico comum é o seguinte: assim que você começa a entender o jogo, seu objetivo imediato é vencer. E é exatamente aí que a maioria das pessoas cai nessa armadilha.

Eles acreditam que vencer significa controlar o jogo completamente, demonstrar domínio, ser mais esperto que o adversário para garantir que não sejam explorados.

Em teoria, isso pode parecer lógico, mas, na prática, quase sempre se revela contraproducente. Não porque a abordagem esteja errada, mas porque a mentalidade é míope. Podemos até conseguir vencer no momento, mas, ao fazê-lo, perdemos de vista o futuro.

A razão é que, com esse tipo de comportamento, destruímos toda a confiança necessária para um futuro estável. Esse é o paradoxo que 99% das pessoas não entendem.

Muitos exemplos poderiam ser dados aqui: o amigo que ganha todas as discussões, mas acaba com cada vez menos amigos, ou o empresário que negocia arduamente e consegue o contrato, mas deixa de ser considerado para futuros negócios.

O parceiro em um relacionamento que sempre precisa estar certo, mas depois se pergunta por que o relacionamento acaba desmoronando. Todas essas pessoas acreditam que estão vencendo com sua estratégia dominante – mas, na realidade, estão desperdiçando confiança e afeto.


Tudo se resume à estratégia certa.

A teoria dos jogos explica por que isso acontece. Em um jogo que dura apenas uma rodada, às vezes pode ser vantajoso agir de forma egoísta, defensiva ou manipuladora, justamente por se tratar de apenas uma rodada.

No entanto, em jogos repetidos – e é exatamente disso que se trata a vida real – essa mentalidade destrói a própria vantagem. Se a outra pessoa perceber que você está disposto a trapacear e explorar o jogo para atingir seus próprios interesses, ela desistirá da partida.

Ele já não está disposto a dar o benefício da dúvida – e, assim que ambas as partes se colocam na defensiva, ninguém sai ganhando. Instala-se um impasse. É exatamente por isso que relacionamentos, inclusive comerciais, se deterioram.


Por outro lado, existem pessoas boas que perdem por um motivo diferente: elas evitam conflitos e consequências. Tentam amenizar as coisas e guardar tudo para si.

Mas a generosidade sem limites nunca beneficiou ninguém, porque é praticamente um convite à exploração. A teoria dos jogos afirma que, se um jogador coopera incondicionalmente, o outro decidirá racionalmente se voltar contra ele.

Não porque a outra pessoa seja má, mas simplesmente porque aproveita a oportunidade para explorar a situação. Segundo a teoria dos jogos, existem dois tipos de perdedores: aqueles que sempre lutam e se isolam, e aqueles que são sempre perdoados e explorados.

Esses grupos perdem porque não entendem qual é o verdadeiro objetivo do jogo. A verdade é bem simples: vencer não significa destruir os outros ou evitar conflitos.

A chave é escolher uma estratégia que leve ao sucesso a longo prazo. Quem joga de forma egoísta perde para quem prioriza a consistência. Quem busca validação perde para quem prioriza a estrutura.

Aqueles que tentam vencer todas as batalhas ficam chocados quando, no fim, perdem a guerra. Isso inevitavelmente levanta a questão: qual estratégia leva ao sucesso confiável e a longo prazo?

Essa era exatamente a pergunta que Robert Axelrod queria ver respondida. Ele convidou os estrategistas mais brilhantes do mundo — matemáticos, economistas, analistas militares e psicólogos — para desenvolver uma estratégia que se mostrasse eficaz na prática.

Cada especialista empregou sua própria estratégia. Alguns tentaram o engano, outros a intimidação, e outros ainda apostaram na imprevisibilidade.


A estratégia mais promissora, no entanto, baseia-se num princípio que até uma criança consegue entender: comece com gentileza, demonstre a mesma atitude que recebe e perdoe se a outra parte desejar um novo começo.

Evite jogos mentais e táticas desonestas; em vez disso, demonstre abertura, clareza e imparcialidade. Essa é a estratégia perfeita. Se o jogador cooperar, seu parceiro também cooperará; se trair o outro, será punido na mesma moeda — mas apenas uma vez. Se o jogador cooperar novamente, seu parceiro estará disposto a perdoar seu deslize.

Estratégias baseadas em manipulação eram, portanto, impossíveis. Um jogador jamais vencia tentando destruir seu parceiro. A vitória residia na disposição de cooperar ao máximo, evitando conflitos a longo prazo e punindo a traição apenas o suficiente para que o oponente pensasse duas vezes antes de tentar novamente.

Ao final do estudo, todos os especialistas ficaram surpresos, pois presumiam que a melhor maneira de vencer era dominar – mas a estratégia vencedora não é derrotar os outros, e sim cooperar com eles.


A estratégia vencedora recompensa a benevolência e pune o interesse próprio. Quem compreende que a manipulação e a subjugação não levam à vitória deixa de lutar pelo poder e constrói um sistema de benefício mútuo.

A vantagem não está em ser melhor que o outro ou intimidá-lo, mas em se tornar o tipo de pessoa com quem os outros gostam de trabalhar. O que importa não é a dominância, mas sim a imparcialidade previsível.

Destruir alguém pode parecer satisfatório no início, mas conquistar a confiança de alguém acaba compensando para sempre.



Vídeo:


Fontes: PublicDomain/Frank Schwede para PRAVDA TV em 28 de junho de 2026