A HIPÓTESE DA SIMULAÇÃO: Os físicos estão, na verdade, testando se a realidade é apenas um código.

 


A HIPÓTESE DA SIMULAÇÃO: Os físicos estão, na verdade, testando se a realidade é apenas um código.



Cientistas de verdade, em universidades de verdade, passaram mais de uma década projetando experimentos para detectar as falhas em um universo simulado, e os resultados até agora não confirmaram nem refutaram essa hipótese.

Em 2003, o filósofo sueco Nick Bostrom, então na Universidade de Oxford, publicou um artigo intitulado "Você vive em uma simulação de computador?" na revista "Philosophical Quarterly".

Continua sendo a discussão científica séria mais citada sobre essa ideia e se baseia exclusivamente na teoria da probabilidade e na lógica, não na física. Hoje é 21 de junho de 2026 e, nos 23 anos desde a publicação do artigo, físicos, filósofos e cientistas cognitivos de instituições renomadas levaram a questão tão a sério que chegaram a projetar experimentos. Nenhum desses experimentos conseguiu provar que o universo é uma simulação.


No entanto, alguns pesquisadores obtiveram resultados verdadeiramente estranhos e confirmados que permanecem inexplicáveis. Este artigo apresenta um relato detalhado do que foi efetivamente testado, o que a comunidade científica diz sobre cada evidência e onde residem as principais divergências.



A HISTÓRIA DE ORIGEM

A ideia de que a realidade poderia ser essencialmente baseada em computadores não se origina na ficção científica, mas sim com engenheiros. Em 1969, o engenheiro alemão Konrad Zuse, que havia construído o primeiro computador programável, o Z3, em 1941, publicou o livro "Computing Space" (Computando o Espaço).

Zuse propôs que o universo funciona como um autômato celular, uma rede de células discretas, cada uma armazenando um estado e se atualizando de acordo com regras locais, em vez dos campos suaves e contínuos descritos pelas equações de Einstein. Os físicos estabelecidos o ignoraram em grande parte na época.


Em 1989, o influente físico John Archibald Wheeler, que cunhou o termo "buraco negro", trabalhou em estreita colaboração com Niels Bohr e supervisionou Richard Feynman, apresentando um artigo intitulado "Informação, Física, Física Quântica: A Busca por Conexões" no Instituto Santa Fé.

Wheeler cunhou o termo "it" a partir de "bit" e argumentou que toda partícula física tem uma origem informacional e que a realidade física emerge de um substrato profundo de questões binárias de sim/não. Essa foi uma proposta filosófica significativa de um dos físicos mais respeitados do século XX, mas permaneceu como uma estrutura conceitual e não como uma teoria comprovada.

Edward Fredkin, um cientista da computação autodidata que se tornou professor no MIT, desenvolveu ainda mais essa ideia. Ele fundou a chamada filosofia digital e formulou a chamada hipótese da finitude: o espaço e o tempo são discretos e não infinitamente divisíveis nas menores escalas.

Um único algoritmo subjacente executado em autômatos celulares na escala de Planck — a menor distância fisicamente significativa, de cerca de 1,6 × 10⁻³⁵ metros — poderia, em princípio, gerar as leis físicas que observamos. A abordagem de Fredkin permanece uma posição minoritária na física e é vista por poucos teóricos mais como um programa de pesquisa do que como uma descrição geralmente aceita da realidade.


O PONTO DE VIRADA

A discussão tomou um rumo decisivo em 2003 com a publicação de Bostrom. Em vez de se basear em princípios físicos, Bostrom desenvolveu um trilema lógico. Ele argumentou que pelo menos uma das três afirmações é altamente provável de ser verdadeira:


A civilização humana irá desaparecer antes de desenvolver a tecnologia para simulações detalhadas de ancestrais; civilizações pós-humanas avançadas, por algum motivo, optarão por não realizar tais simulações, mesmo que fossem capazes de fazê-lo; ou, muito provavelmente, já estamos vivendo em uma simulação.

O argumento de Bostrom baseia-se na independência do substrato, a suposição amplamente aceita na ciência cognitiva de que a consciência depende do padrão correto de processamento de informações e não especificamente de neurônios biológicos. Se uma civilização suficientemente avançada pudesse realizar um grande número de simulações detalhadas da consciência, e se esses estados de consciência simulados fossem conscientes no mesmo sentido que os biológicos, então, estatisticamente falando, a maioria dos estados de consciência existentes em qualquer momento seriam simulados e não originais.

Essa lógica não pode ser simplesmente descartada, e é por isso que ela vem sendo levada a sério por filósofos e alguns físicos há mais de duas décadas, embora não forneça evidências físicas nem nada do tipo, sendo meramente um argumento probabilístico.

Os críticos do argumento de Bostrom — e são muitos na filosofia acadêmica — geralmente atacam a própria premissa da independência do substrato, questionam se a estabilidade civilizacional exigida por seu cálculo é realista ou argumentam que toda a estrutura não é falseável e, portanto, está além do alcance da verificação física. Esses são debates acadêmicos acalorados e contínuos, não objeções definitivamente resolvidas.


A OBRA

Após a publicação de Bostrom, um pequeno número de físicos tentou desviar a discussão da filosofia pura para a física verificável, levando a resultados mistos e bastante controversos.

Em 2012, os físicos Silas Beane, Zohreh Davoudi e Martin Savage, da Universidade de Washington e do Instituto de Teoria Nuclear, publicaram um artigo intitulado "Restrições ao Universo como uma Simulação Numérica". Eles argumentaram que, se o universo for baseado em uma rede computacional — semelhante à rede em simulações cromodinâmicas quânticas de rede, que os físicos já usam para modelar a força nuclear forte — essa rede imporia um limite rígido à energia das partículas, uma vez que nada na simulação pode ser menor do que uma única célula da rede.


Eles suspeitavam que esse limite já pudesse ser observável no limite de Greisen-Zatsepin-Kuzmin, uma queda real e bem documentada no espectro de energia dos raios cósmicos. Além disso, previram que, se esse limite for de fato causado por uma rede subjacente, os raios cósmicos de mais alta energia deveriam exibir uma dependência direcional e se propagar preferencialmente ao longo dos eixos dessa rede, em vez de chegarem uniformemente de todas as direções.

Essa é uma previsão que certamente pode ser verificada com a tecnologia atual de detectores, mas permanece uma questão em aberto e sem solução. Nenhuma dependência direcional desse tipo havia sido confirmada em dados de raios cósmicos até 2026, e os próprios autores afirmaram explicitamente que seu resultado só é válido se a grade simulada for construída exatamente na escala que produz o limite de corte GZK conhecido – uma suposição sem justificativa independente. Portanto, trata-se de um teste científico genuíno com resultado negativo até o momento, e não de uma descoberta confirmada.

Em 2009, o físico James Gates, então na Universidade de Maryland, relatou a descoberta de estruturas matemáticas semelhantes a códigos de correção de erros — a categoria de código usada para evitar a corrupção de dados durante a transmissão digital. Essas estruturas estavam incorporadas em certas equações supersimétricas da teoria das cordas. Seu trabalho foi posteriormente descrito em detalhes em uma publicação sobre códigos lineares autoduais duplamente pares.

Essa descoberta é real e foi confirmada de forma independente como um padrão matemático genuíno dentro da área específica de pesquisa da supersimetria. O próprio Gates enfatizou em entrevistas posteriores que se trata de uma característica estrutural da matemática, não evidência de um programador externo ou prova de uma simulação da realidade.

A presença de estruturas semelhantes a códigos de correção de erros em equações não prova nem intenção nem simulação, mas simplesmente que certos objetos matemáticos se repetem em domínios muito diferentes. Este é, por si só, um fenômeno conhecido, mas ainda não totalmente compreendido, na física teórica.

Uma abordagem de pesquisa distinta e mais controversa vem do físico Melvin Vopson, da Universidade de Portsmouth. Em 2019, ele propôs o chamado princípio da equivalência massa-energia-informação, que se baseia na descoberta de Rolf Landauer, feita em 1961 na IBM, de que apagar um bit de informação requer a liberação de uma quantidade específica e mensurável de calor. Vopson estendeu essa ideia à afirmação de que a própria informação possui uma massa física pequena, porém real, e posteriormente formulou o que ele chama de segunda lei da dinâmica da informação.

Isso afirma que a entropia da informação em um sistema tende a diminuir com o tempo — aparentemente o oposto da segunda lei da termodinâmica. Essas ideias levaram a sérias controvérsias científicas, em vez de consenso. Em 2025, a física Sabine Hossenfelder publicou uma crítica detalhada de um artigo de Vopson, identificando erros matemáticos e falta de fundamentação empírica.

Uma análise independente, revisada por pares, concluiu que as evidências experimentais de Vopson para uma massa mensurável de informação não atingiram significância estatística. Posteriormente, Vopson publicou declarações defendendo e refinando seu modelo. A questão permanece uma controvérsia científica ativa e não resolvida, e não um fato estabelecido. Qualquer discussão objetiva sobre a hipótese da simulação deve levar isso em consideração.

A experiência da dupla fenda, na qual uma partícula se comporta como uma onda até ser medida e, em seguida, passa a se comportar como uma partícula definida, é um dos resultados mais rigorosamente confirmados em toda a física e tem sido replicada continuamente por mais de um século.

A comparação que alguns autores fazem com a chamada "renderização preguiçosa" em motores de jogos eletrônicos, onde um sistema calcula apenas o que está sendo observado no momento, é uma analogia popular, não uma descoberta científica. A mecânica quântica não exige simulação para explicar o colapso da função de onda, nem o implica. Dentro da física estabelecida, existem diversas interpretações concorrentes, incluindo algumas que não envolvem nenhum colapso, como a interpretação de muitos mundos. A analogia é estimulante e instigante, mas não é uma prova.

O princípio holográfico, desenvolvido por Gerard t Hooft e posteriormente refinado por Leonard Susskind, e o limite de Bekenstein associado, formulado por Jacob Bekenstein, são princípios fundamentais reconhecidos da física e são usados, em particular, para resolver o paradoxo da informação dos buracos negros. Esses princípios mostram que o conteúdo de informação de uma região do espaço é proporcional à sua área de superfície e não ao seu volume – uma descoberta importante e significativa.


Se isso é evidência de uma realidade simulada ou meramente uma característica profunda e ainda não totalmente compreendida da relação entre gravidade e mecânica quântica é uma questão de interpretação e não um fato comprovado. A maioria dos físicos que trabalham com holografia não descreve explicitamente seu trabalho como evidência para a hipótese da simulação.


A TRAGÉDIA

A hipótese da simulação possui considerável significado psicológico para muitos que a estudam seriamente. O Debate Memorial Isaac Asimov de 2016, no Museu Americano de História Natural, moderado por Neil deGrasse Tyson e com a participação do cosmólogo do MIT Max Tegmark e outros físicos, abordou esse tema diretamente. Tegmark argumentou publicamente que o universo possui uma estrutura profundamente matemática — uma posição que precede e é mais abrangente do que a hipótese da simulação, visto que um universo matemático e um universo simulado não são necessariamente a mesma coisa.

As consequências verdadeiramente difíceis, caso a hipótese venha a ser confirmada, são reais e merecem ser levadas a sério, sem exageros. Questões sobre o livre-arbítrio, o peso moral do sofrimento e o lugar da humanidade numa estrutura que não escolhemos e que não podemos verificar completamente são questões filosóficas legítimas com as quais pensadores têm se debatido há décadas, independentemente de a hipótese da simulação se provar correta ou não.

É verdade também que pesquisadores nessa área, incluindo Vopson, tiveram que recorrer a opções alternativas de financiamento, como o financiamento coletivo, para os experimentos planejados, já que as instituições de financiamento estabelecidas para a física continuam céticas em relação a esse tipo de trabalho especulativo.

Esse ceticismo não é necessariamente injustificado; ele reflete o caráter genuinamente incerto e controverso das teorias subjacentes, e não uma conspiração para suprimir uma verdade óbvia.



A HERANÇA E O CRESCIMENTO

Em junho de 2026, diversas abordagens de pesquisa altamente produtivas permanecem em vigor. O trabalho do físico Nima Arkani Hamed sobre o amplituhedrone, uma estrutura geométrica descoberta em 2013 que simplifica certos cálculos de interações de partículas, levou-o à tese pública de que o espaço e o tempo podem não ser propriedades fundamentais, mas sim propriedades emergentes que surgem de uma estrutura matemática mais profunda.

Esta é uma posição séria e ativamente pesquisada dentro da física teórica, que é distinta e não sinônima da afirmação de que o universo é uma simulação de computador, embora ambas as ideias compartilhem semelhanças conceituais.

O cientista cognitivo Donald Hoffman, da Universidade da Califórnia, Irvine, argumenta, usando a teoria evolutiva dos jogos, que a percepção é impulsionada pela aptidão, e não pela precisão. Isso significa que nossos sentidos representam uma interface simplificada da realidade, em vez de representá-la em sua forma fundamental. Ele ilustra essa posição com a analogia de um ícone na área de trabalho de um computador, que representa um arquivo sem exibir seu código subjacente.

Essa posição é reconhecida na ciência cognitiva em relação à natureza da percepção e não prova necessariamente que a realidade percebida de forma imperfeita seja uma simulação digital e não um universo físico.

O estado atual das evidências em 2026 é o seguinte: a hipótese da simulação permanece uma questão filosófica e científica séria e não resolvida, levada a sério por físicos e filósofos reconhecidos em instituições renomadas. Diversos testes experimentais propostos já foram realizados, mas até o momento sem um resultado conclusivo.

Alguns dos argumentos mais frequentemente citados, particularmente a suposição de que a informação possui massa física, são objeto de debate científico contínuo e resultados incertos. A resposta mais honesta hoje, portanto, é: não sabemos. Os experimentos que poderiam nos fornecer respostas ainda estão em andamento e, mesmo entre os pesquisadores, há divergências sobre o que os dados obtidos até agora realmente mostram.

O que mudaria sua opinião sobre a natureza da realidade: um resultado experimental positivo ou o simples fato de que físicos sérios ainda estejam dispostos a realizar o experimento?


Você pode ler mais sobre os programas da Matrix no livro " A Ilusão do Mundo ".

Fontes: PublicDomain/ medium.com  em 28 de junho de 2026