Nem toda ferida merece a sua mão
Nem toda ferida merece a sua mão
Não alimente todo cachorro que você vir sofrendo.
Alguns não estão esperando por ajuda.
Estão esperando forças para morder novamente.
E não, isso não é sobre cachorros.
É sobre pessoas que chegam despedaçadas, mas sem humildade.
Pessoas que choram, mas não mudam.
Pessoas que usam a própria dor como desculpa para destruir quem tenta salvá-las.
Há pessoas que não buscam apoio.
Elas buscam energia.
Buscam a sua luz para reacender a própria escuridão.
Buscam a sua paciência para poderem continuar abusando.
Buscam a sua bondade para transformá-la em permissão.
E você, de coração puro, acredita que amar significa suportar.
Acredita que ajudar significa ficar.
Acredita que compreender significa permitir tudo.
Mas não.
Existe também a compaixão à distância.
Existe também o amor-próprio com limites.
Existe também a bondade que aprende a fechar a porta.
Nem todas as pessoas feridas querem se curar.
Algumas só querem que outra pessoa carregue o seu veneno.
Algumas não precisam de uma mão... precisam encarar as consequências de quem são e do que fazem.
Ajude, sim.
Mas não se destrua tentando resgatar alguém que gosta de arrastar os outros para baixo.
Porque, às vezes, a atitude mais sábia não é dar mais.
É olhar o perigo nos olhos, reconhecê-lo e afastar-se em silêncio.
Seu coração pode ser nobre,
mas a sua paz também merece proteção.