O aumento do uso de moedas locais no comércio transfronteiriço dos BRICS

 



O aumento do uso de moedas locais no comércio transfronteiriço dos BRICS 


— apoiado por iniciativas como o BRICS Pay e pela maior demanda/reservas de ouro 

— pode contribuir para a valorização dessas moedas em relação ao dólar americano ao longo do tempo, embora o efeito seja provavelmente gradual e limitado, em vez de drástico.


Eis o porquê:


- Aumento da demanda por moedas locais: A mudança nos métodos de liquidação comercial, deixando de utilizar o dólar (por exemplo, acordos bilaterais em yuan, rublo, rupia, etc.), impulsiona a demanda direta por essas moedas. Isso pode fortalecê-las frente ao dólar, reduzindo a dependência da moeda americana e diminuindo os custos de conversão/riscos de volatilidade. Por exemplo, o comércio entre Rússia e China em yuan/rublo já demonstrou menor volatilidade e alguma redução de custos.


- Papel de apoio do ouro: Os países do BRICS (especialmente China, Rússia e Índia) têm sido grandes compradores de ouro como ativo de reserva neutro em meio à desdolarização. Isso diversifica as reservas, reduzindo a dependência do dólar e, indiretamente, apoiando a estabilidade e a confiança nas moedas locais. O lastro em ouro (ou reservas substanciais) pode tornar as moedas dos BRICS alternativas mais atraentes, potencialmente levando à valorização caso a confiança global aumente. Analistas observam que as tendências de desdolarização contribuíram para a alta dos preços do ouro e podem, indiretamente, fortalecer o valor das moedas dos BRICS, reduzindo a dominância do dólar.


No entanto, desafios limitam uma grande valorização:

- As moedas dos BRICS variam muito em força (por exemplo, o yuan chinês é mais internacionalizado do que as outras).


- Ainda não existe uma moeda comum única — os esforços se concentram em liquidações e sistemas locais, como o BRICS Pay, e não em uma moeda unificada.


- Fatores mais amplos, como inflação, taxas de juros, balança comercial e geopolítica, influenciam o valor das moedas mais do que essas iniciativas isoladamente.


- Os efeitos se referem mais ao enfraquecimento relativo do dólar do que a ganhos expressivos das moedas locais.


No geral, isso promove maior soberania financeira e pode levar a uma valorização moderada das moedas mais fortes dos BRICS (como o yuan ou a rupia) em relação ao dólar, especialmente se o comércio intra-BRICS crescer e as reservas de ouro continuarem aumentando.


Resumo de "A desdolarização pode impulsionar os preços do ouro" (Investopedia, 2025):

- A desdolarização acelera nos BRICS/Sul Global por meio de esquemas de comércio em moeda local.


- Os bancos centrais compram mais ouro; a participação do dólar nas reservas cai para menos de 47%, enquanto a participação do ouro sobe para perto de 20%.


- Implicação: A redução da demanda por dólar pode enfraquecê-lo, enquanto o ouro (e potencialmente as moedas locais dos BRICS) se valorizam como alternativas — sustentando pressões de apreciação gradual dessas moedas por meio da diversificação e da proteção contra os riscos do dólar.


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